𝗖𝗘𝗡𝗧𝗘𝗡Á𝗥𝗜𝗢 𝗢𝗦𝗪𝗔𝗟𝗗𝗢 𝗝𝗨𝗦𝗧𝗢 (𝟭𝟵𝟮𝟲 – 𝟮𝟬𝟮𝟲)

𝐔𝐦𝐚 𝐍𝐨𝐯𝐚 𝐒𝐨𝐜𝐢𝐞𝐝𝐚𝐝𝐞 – 𝗣𝗿𝗼𝗷𝗲𝘁𝗼 𝗤𝘂𝗶𝗻𝘁𝗶𝗻𝗼 𝗱𝗲 𝗟𝗮𝗰𝗲𝗿𝗱𝗮
𝗔𝗗𝗜𝗖𝗟𝗨𝗦𝗔 – 𝗡𝗲𝗴𝗿𝗼𝘀 𝗲 𝗦𝗮𝗺𝗯𝗶𝘀𝘁𝗮𝘀 𝗱𝗲 𝗦𝗮𝗻𝘁𝗼𝘀
No dia 16 de setembro 2026, Oswaldo Justo completaria 100 anos. Primeiro prefeito eleito democraticamente em Santos após 15 anos de intervenção do regime militar, sua trajetória se confunde com a luta por autonomia, por democracia e pelo reconhecimento da Comunidade Negra e da Comunidade do Samba como força política da cidade.
𝗧𝗿𝗮𝗷𝗲𝘁ó𝗿𝗶𝗮
Notório estadista santista, Oswaldo Justo iniciou sua vida pública ainda na década de 1950. Aos 25 anos, em 1951, disputou sua primeira eleição e tornou-se suplente de vereador em Santos.
𝗩𝗲𝗿𝗲𝗮𝗱𝗼𝗿
Em 1955 elegeu-se vereador. Foi reeleito em 1959 e em 1963, totalizando três mandatos. Na Câmara Municipal atuou em comissão com o Dr. Esmeraldo Tarquínio de Campos Filho e juntos oficializaram o legado de Quintino de Lacerda com duas leis históricas: a Lei Municipal nº 2.427, de 16 de novembro de 1961, que instituiu a construção do monumento em homenagem ao Quilombo do Jabaquara, e a Lei Municipal nº 2.557, de 21 de setembro de 1962, que instituiu o Dia Municipal de Quintino de Lacerda.
Seu terceiro mandato foi interrompido pela prisão nos eventos de 31 de março de 1964, em razão de seu vínculo com o prefeito José Gomes. Retomou o mandato e exerceu até 1970, como líder da bancada do MDB.
𝗩𝗶𝗰𝗲-𝗽𝗿𝗲𝗳𝗲𝗶𝘁𝗼 𝗲𝗹𝗲𝗶𝘁𝗼
Em 1969, com o fim do mandato de Sílvio Fernandes Lopes, Santos já era considerada Área de Segurança Nacional e tinha seu prefeito nomeado pelo Presidente da República. Oswaldo Justo foi candidato a prefeito pelo MDB nas eleições de 15 de novembro de 1969, concorrendo com outros dois nomes do mesmo partido contra o candidato da ARENA.
Os candidatos do MDB somaram mais que o dobro dos votos da ARENA. Foi eleito prefeito o deputado estadual Esmeraldo Tarquínio, primeiro colocado, tendo Oswaldo Justo como segundo colocado. Pela legislação vigente, o segundo mais votado tornava-se vice-prefeito.
Com o AI-5, editado em 13 de dezembro de 1968, Esmeraldo Tarquínio teve seus direitos políticos cassados e foi impedido de tomar posse. Oswaldo Justo seria o prefeito. Em solidariedade ao companheiro de legenda e indignado com a cassação do negro Dr. Esmeraldo Tarquínio, recusou-se a assumir e renunciou.
𝗣𝗿𝗲𝗳𝗲𝗶𝘁𝗼 𝗱𝗲 𝗦𝗮𝗻𝘁𝗼𝘀
Em 1983, com a redemocratização, Santos deixou de ser área de segurança nacional e recuperou plena autonomia política. Oswaldo Justo foi indicado por aclamação para concorrer à Prefeitura, tendo como vice Esmeraldo Tarquínio Neto, filho de Esmeraldo Tarquínio. Eleito com ampla margem em 1984, assumiu pelo voto popular após 16 anos de intervenção.
Como prefeito de 1984 a 1988, tomou decisões que mudaram a relação do poder público com a população negra:
- Institucionalizou o Dia da Consciência Negra.
- Criou o Conselho da Comunidade Negra e o Conselho Oficial do Samba Santista.
- Garantiu acesso aos tradicionais para assistirem aos desfiles das Escolas de Samba.
- Definiu local e planta para construção do Palácio do Samba, como sede para afirmação da participação do negro e do sambista no processo político, econômico, cultural e social do município.
A participação do Governo Oswaldo Justo com a Comunidade Negra e Comunidade do Samba foi de igualdade do começo ao fim de seu governo, chegando a compor musica em homenagem ao Quilombo do Jabaquara e transformar o desfile das Escola de Samba de Santos na condição de segundo melhor do Brasil.
𝗧é𝗿𝗺𝗶𝗻𝗼 𝗱𝗮 𝗰𝗮𝗿𝗿𝗲𝗶𝗿𝗮 𝗽𝗼𝗹í𝘁𝗶𝗰𝗮
Vereador por 20 anos, vice-prefeito de Esmeraldo Tarquínio, prefeito e depois deputado estadual por dois mandatos na Assembleia Legislativa de São Paulo, Oswaldo Justo manteve-se na presidência do diretório do PMDB em Santos e encerrou a vida pública como referência de ética e compromisso democrático. Faleceu em Santos em 14 de abril de 2003.
𝗢 𝘀𝗶𝗴𝗻𝗶𝗳𝗶𝗰𝗮𝗱𝗼 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗼 𝗣𝗿𝗼𝗷𝗲𝘁𝗼 𝗤𝘂𝗶𝗻𝘁𝗶𝗻𝗼 𝗱𝗲 𝗟𝗮𝗰𝗲𝗿𝗱𝗮
O Projeto Quintino de Lacerda, com participação de diferentes autores, formou o conceito pedagógico-cultural da Comunidade Negra e da Comunidade do Samba. Com o historiador Marechal do Samba J. Muniz Jr., a ADICLUSA consolidou esse conceito no Empreendimento Social de Construção da Cidadania dos Negros e Sambistas de Santos e implantou a participação político-pedagógica.
Esmeraldo Tarquínio e Oswaldo Justo institucionalizaram as leis no sistema municipal. Isso consagra os Negros e Sambistas da terra de José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca que propôs a abolição ainda em 1823, como protagonistas da abolição e como o mais novo segmento da sociedade civil protagonista do complemento do abolicionismo: a cidadania plena.
Parabéns a todos que formam essa união. Parabéns, Oswaldo Justo, pelos 100 anos. Sua obra permanece.
𝗔𝘀𝘀𝗼𝗰𝗶𝗮çã𝗼 𝗱𝗲 𝗗𝗲𝗳𝗲𝘀𝗮 𝗱𝗮 𝗖𝗼𝗺𝘂𝗻𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗡𝗲𝗴𝗿𝗮 𝗱𝗲 𝗦𝗮𝗻𝘁𝗼𝘀 – 𝗔𝗗𝗜𝗖𝗟𝗨𝗦𝗔
𝗡𝗲𝗴𝗿𝗼𝘀 𝗲 𝗦𝗮𝗺𝗯𝗶𝘀𝘁𝗮𝘀 𝗱𝗲 𝗦𝗮𝗻𝘁𝗼𝘀
16 𝒅𝒆 𝑺𝒆𝒕𝒆𝒎𝒃𝒓𝒐 𝒅𝒆 2026






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